próximo

Hyago Sarraff

blank

Minha trajetória acadêmica, em um primeiro momento, pode parecer incomum, estranha ou até confusa. Ela se iniciou em 2010, no ensino superior, com minha formação em Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná. Lá, no Departamento de Antropologia, tive a oportunidade de realizar pesquisa na Igreja Católica Apostólica Brasileira e, naquele momento, meu olhar se voltou para a devoção a Santo Expedito, especialmente pensando nas dinâmicas religiosas tanto pela perspectiva das afetividades quanto pelas fronteiras formais da religião. Em 2018, quatro anos após me formar cientista social, ingressei na mesma universidade, no curso de Ciências Biológicas. Inicialmente, pesquisei genética de populações humanas, em interlocução com minha formação anterior. Posteriormente, tornei-me pesquisador na Botânica, trabalhando com a taxonomia de Lamiaceae, família de plantas que inclui manjericão, hortelã, boldo, lavanda, entre outras espécies bastante presentes no nosso cotidiano. Meu encanto pelas plantas me guiou ao mestrado, realizado no Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e finalizado em 2025, onde continuei minhas pesquisas taxonômicas. Embora eu seja taxonomista, meu interesse nunca esteve apenas nas definições propriamente ditas, mas sobretudo nas intersecções e zonas de indefinição. Foi com esse olhar que ingressei, em 2026, no doutorado em Etnografia e Crítica Cultural, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Expressando um dos caminhos possíveis de interlocução entre Biologia e Antropologia, pesquiso as plantas no Pavilhão das Ervas do Mercadão de Madureira. Meu objetivo é pensá-las simultaneamente como entidades biológicas e taxonômicas — espécies definidas — e também compreender como elas mobilizam pessoas, criam circulações pela cidade, agem sobre e com o sagrado, materializando-o em práticas cotidianas, e articulam mundos próprios. Essa perspectiva articula conhecimentos clássicos da Biologia com discussões contemporâneas da Antropologia, situando-se justamente nesse espaço de passagem, entre lá e cá. Nesse percurso, minha trajetória acadêmica talvez funcione menos como explicação e mais como pano de fundo: afinal, entre definições e indefinições, classificações e atravessamentos, estranheza e confusão também podem ser formas possíveis de produzir conhecimento.

Newsletter

Agenda

Nenhum evento encontrado!